sábado, 1 de maio de 2010

Capítulo 1


Já faz algum tempo que tudo aconteceu, mas tudo continua rodando como um filme dentro de mim. Ninguém sabe o que se passa e afinal de contas, eu sou uma atriz como ninguém jamais acreditou que eu pudesse ser. Ainda não compreendo perfeitamente o porquê de me esconder tanto em máscaras que nada tem haver, eu sei que eu não sou tão ruim assim. Porém, é assim que eu estou segura, protegida de todos, protegida de mim.
      Eu acordei com a minha mãe me sacudindo. Todos os dias eram assim, não importava o quão alto o despertador tocasse, ele sempre ficava lá gritando meia hora sem que conseguisse me convencer a acordar, então a minha mãe entrava no quarto e terminava o trabalho dele. Apesar de eu não gostar de acordar cedo, eu gostava de pra onde eu tinha que ir todo santo dia. Eu havia escolhido estudar tão longe e eu gostava das pessoas que eu encontrava lá, ninguém sabia onde eu morava ou como era a minha casa ou o que eu fazia fora da escola, só me conheciam pelo que eu era lá e isso era incrivelmente confortável para mim. Eu levantei e, como sempre, ainda estava escuro.
      Fui pro banheiro, sonâmbula, e fiquei lá embaixo do chuveiro gelado. Às vezes eu nem usava sabonete, eu ligava o chuveiro, entrava embaixo dele sem molhar o meu cabelo, passava as mãos no rosto e daí eu o desligava, me enxugava e tudo estava perfeito pra mim. Então eu ia pro meu quarto que ficava no final do hall dobrando à direita e me vestia. Eu achava injusto eu ter que fazer tudo tão cedo enquanto a minha mãe ainda ficava lá deitada e embrulhada, apesar de que meu padrasto levantava tão cedo quanto eu e se arrumava ao mesmo tempo que eu, mas ainda assim era injusto, as pessoas só deviam ter essa responsabilidade quando fossem mais velhas, eu pensava.
      Eu só engolia o café e saía com o padrasto porque ele pegava o mesmo ônibus que eu e daí era só ficar uma hora e meia dentro dele até chegar na escola. Na verdade ele ainda descia primeiro do que eu, e eu seguia até a presidente Vargas, depois eu andava umas 3 quadras e chegava no colégio.
      Quando eu lembro de como eram as coisas, eu me pergunto como eu não percebi nada antes. Como ninguém percebeu? Apesar de tudo ser tão normal eu sempre soube que havia alguma coisa errada. Comigo? Talvez. Muita coisa eu fiz por nada.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Prefácio

Não sei até que ponto as pessoas realmente são capazes de mudar. Sei somente que eu mudei, mas ainda assim, eu continuo exatamente a mesma pessoa. As aulas estão prestes a voltar e sinceramente não tenho idéia de como serão as coisas, estou incapacitada de planejar qualquer coisa, pelo único fato de que tudo está como eu jamais imaginei que estaria. Eu tenho esperança de que as coisas vão melhorar, eu sinceramente acredito nisso, o problema é eu não me importar com isso. É como se tudo que existia dentro de mim há muito tempo estivesse se manifestando agora, e por qualquer motivo que seja, eu estou conseguindo viver com isso pacificamente, como se eu já esperasse.Faz muito tempo que já não sou totalmente feliz, e se já não bastasse isso, já faz algum tempo que eu também não choro.